Educação e Cidadania debatem cortes nas instituições federais de ensino

Em 20/05/2019
-A A+

Nessa segunda, uma audiência pública conjunta das comissões de Educação e Cidadania da Alepe reuniu reitores e pró-reitores das universidades e institutos federais sediados em Pernambuco para discutir o contingenciamento das verbas destinadas a essas instituições. No entendimento dos parlamentares e dos representantes das entidades de ensino a redução de 3,4% nos orçamentos anunciada pelo MEC significa corte nos investimentos. No último dia 15 de maio, milhões de pessoas foram às ruas em todo o país em manifestação contrária à redução da verba de custeio das instituições.

De acordo com a reitora do Instituto Federal de Pernambuco, Anália Ribeiro, a dificuldade em manter a estrutura básica de funcionamento das unidades de ensino é concreta. “Nós não temos condições de manter despesas básicas de funcionamento. Você já imaginou, no orçamento de qualquer família, quase 40% cortado de uma hora para a outra? A conta não bate, a conta não fecha. Nós não chegamos ao final do ano com nossos contratos, com conta de luz, de água, com questões essenciais, insumos para laboratório e para salas de aulas, visitas técnicas. A conta não fecha.”

A vice-reitora da Universidade Federal de Pernambuco, Florisbela Campos, o contingenciamento vai impedir a realização de novas licitações para os contratos de luz, limpeza e segurança que vencem a partir do mês de agosto. Ela alerta para a possibilidade real de haver dispensa de prestadores de serviço terceirizados. “Com o nosso orçamento praticamente congelado, nós estamos sem condições de manter o número de terceirizados. Fatalmente nós vamos diminuir as pessoas no contrato. Então, vai gerar desemprego.”

Para a estudante da graduação de Ciências Biológicas da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Andralina Santos, a universidade pública é uma forma de ascensão social para estudantes de famílias que não têm condições de pagar por educação privada. (01:29) “É a nossa ascensão como pessoa ter acesso a essa universidade, porque muitas vezes nossos pais não teriam condições de pagar faculdades particulares.”

O líder do Governo na Alepe, deputado Isaltino Nascimento, do PSB, disse que a partir das demandas apresentadas na audiência os parlamentares vão elaborar um documento chamado Carta de Pernambuco para ser compartilhado com a bancada do Estado no Congresso Nacional e com as demais esferas da sociedade e do Poder Legislativo e Executivo. A Carta de Pernambuco é um instrumento da Assembleia Legislativa do Estado fazendo a síntese das questões apresentadas na audiência pública sobre as demandas com os cortes nas universidades que vão afetar também os institutos federais e as Universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco e a Univasf, a Universidade Federal do Vale do São Francisco.”

Também participaram da audiência representantes da Associação dos Docentes da UFPE, da Universidade de Pernambuco, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano e da União dos Estudantes de Pernambuco.